Superando os medos

Há um fenômeno curioso que parece aumentar cada dia em todos os recantos do mundo, mas principalmente no íntimo das pessoas. Esse fenômeno está impregnando todo o tecido social e até mesmo o ar que respiramos. Trata-se do fenômeno medo. Não se sabe bem de onde vem e nem para onde vai. A raiz do medo permanece velada, mas, ao mesmo tempo se revela na agressividade, na desconfiança, no autoritarismo, na insegurança e em todos os segmentos onde os humanos atuam.
Hoje, o medo vai além de um sensação momentânea. Está se tornando uma cultura, confirmada nos muros, nas cercas eletrônicas, nos espirais de arame farpado, nos condomínios fechados, nos mais diferentes tipos de monitoramento, nos alarmes sofisticados, nos cadeados e chaves e, acima de tudo na insegurança generalizada.
Há medos de sair e medos de voltar. Há medos de falar e medos de calar. Há medos das multidões e medos da solidão. Há medos na rua e medos no ambiente de trabalho. Há medos dos outros e medos de si mesmo. Há medos do presente e medos do futuro. Há medos das evidências e medos do mistério. Há medos das promessas milagreiras e medos de quem nada promete e se dispõem a fazer. Não precisamos mais elencar tantos tipos de medos para não causar ainda mais medo.
Além de pesquisar as causas do medo, que são tantas, seja em desfavor do indivíduo, como da sociedade, também seria importante evidenciar as consequências reais de tantos medos. Sabe-se muito bem, que a pior e mais danosa é a paralisação dos talentos pessoais, dos recursos institucionais, das esperanças criativas e de um novo horizonte a ser alcançado.
Porém, o que deve interessar, mesmo, é o título do artigo: "Superando os medos". Mas você, leitor, pode perguntar: "Ainda é possível isso?" A partir de nós mesmos, pode parecer impossível, mas para Deus, tudo é possível. Aqui lembrei-me de um simples fato ocorrido no rancho de um pobre, mas sábio mendigo. Numa única peça ele tinha um velho fogão, uma cama e uma mesa. A mesa, de quatro pernas de madeira, estava sendo devorada polos cupins. Num dia quebrou uma perna da mesa, em seguida quebrou uma segunda e outras duas estavam também comprometidas.
O mendigo sábio, vendo a mesa sem pernas, decidiu pendurá-la, com arame, no teto da casa. E concluiu: "quando não dá no chão, o jeito é garantir por cima!" Sem Deus, a mesa do banquete da vida vai comprometendo as pernas pelos cupins da cultura do medo, da desconfiança e da indiferença. No final da vida, um célebre filósofo ateu, interrogado por um jornalista sobre o futuro, respondeu: "Só Deus poderá salvar a humanidade!"
No mar da vida, Cristo é nossa segurança. "A barca, longe da terra era agitada pelos ventos...Jesus veio até os discípulos andando sobre o mar... apavorados de medo disseram: 'É um fantasma!' Jesus logo lhes disse: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!" À nossa frente, ao nosso lado, acima de nós, dentro de nós, no meio de nós está o Ressuscitado que nos diz: "Sou eu! Não tenhais medo!"